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Letra

Texto do ponto

Eu não sou daqui

Marinheiro só

Eu não tenho amor

Marinheiro só

Eu sou da Bahia

Marinheiro só

De São Salvador

(2x)

Ô Marinheiro, Marinheiro

Marinheiro só

Quem te ensinou a nadar?

Marinheiro só

Foi o tombo do navio

Marinheiro só

Ou foi o balanço do mar?

Marinheiro só

Lá vem, lá vem

Marinheiro só

Ele vem faceiro

Marinheiro só

Todo de branco

Marinheiro só

Com seu bonezinho

Marinheiro só

Sobre este ponto

Contexto e significado

“Marinheiro Só” é uma cantiga tradicional brasileira de domínio público, preservada pela oralidade e recriada em diferentes rodas, palcos e terreiros. Sua força está na simplicidade: uma voz chama, o coro responde, e o mar aparece como mestre silencioso daquele que aprende a atravessar a vida.

A canção ganhou registros importantes na música brasileira, especialmente com Caetano Veloso, e Clementina de Jesus. Nas discografias, costuma aparecer como obra tradicional ou de domínio público, com adaptação atribuída a Caetano Veloso.

Na voz de Clementina, a música ganha uma camada ancestral, aproximando-se dos cantos populares, dos sambas antigos e da memória afro-brasileira.

O marinheiro da cantiga é uma figura de passagem. Ele vem das águas, carrega a solidão de quem viaja e a sabedoria de quem foi ensinado pelo próprio mar. A pergunta sobre quem o ensinou a nadar sugere que certos aprendizados não vêm da palavra, mas da experiência: o balanço, o tombo, a correnteza, a sobrevivência.

Na Umbanda, a imagem do marinheiro dialoga com a linha dos Marinheiros ou Marujos, entidades ligadas ao povo das águas, à limpeza espiritual, à alegria, à condução e ao equilíbrio emocional. Por isso, a cantiga também aparece em alguns repertórios de pontos de Marinheiro, embora sua origem esteja mais ligada à tradição popular brasileira do que a uma composição litúrgica única.

Em sentido simbólico, “Marinheiro Só” fala da travessia. O mar é caminho, prova e professor.

O marinheiro é aquele que balança, mas não afunda; aquele que vem de longe, mas traz no corpo a memória das águas. No universo espiritual, essa imagem se aproxima da força de Iemanjá e dos mistérios do mar, onde se lavam dores, se entregam pesos e se aprende a navegar por dentro.