Orixás
ORIXÁ - em iorubá: Òrìṣà
A palavra Òrìṣà é a junção de duas palavras em iorubá:
Òrì ou Ori, que significa "cabeça".
Sà ou Xá, que significa "Rei", "senhor".
Então podemos traduzir como "Rei da cabeça", "Rei da coroa", "Senhor/Senhora da cabeça".
Ainda assim, existem estudiosos que afirmam que Orixá é uma palavra única no iorubá, que por si só, já significa "Divindade". A língua Iorubá é uma língua sagrada, assim como o latim na religião católica.
Na Umbanda, os Orixás são forças divinas que representam aspectos da criação, da natureza e da própria vida humana.
Na nação iorubá, eles são considerados espíritos ancestrais que foram divinizados, espíritos que após a ascensão, representam vibrações puras, forças da natureza, caminhos de aprendizados, energias sagradas e arquétipos espirituais, inspirando e manifestando suas energias na vida dos vivos.
O interessante é entender que as características dos orixás possuem semelhança aos dos humanos, onde relacionam as emoções e sentimentos: raiva, paixão, ciúmes, curiosidade, orgulho.
São forças divinas da natureza e da criação, representando diversos fenômenos, princípios da vida (caça, metalurgia, fertilidade, batalhas), energias que organizam o nosso mundo (Ayê). Todos Orixás representam a manifestação ou intermédio das forças e energias da criação de Olorum / Olodumaré.
Como vieram para o Brasil
Os orixás surgiram em terras brasileiras durante o período de escravidão em conjunto com a diáspora africana. Milhões de africanos escravizados foram trazidos dessas regiões para o Brasil e muitos outros locais do mundo. Entre os povos africanos durante a diáspora, trouxemos povos Banto ou Bantu, Nagô, Ketu e com eles trouxemos as suas tradições, mitos e também a forma de se relacionar com o sagrado.
Quando houve a diáspora, tanto sua cultura e sua fé, foram consideradas imorais pela sociedade europeizada.
Diante dessa impossibilidade de cultuar normalmente a sua fé, buscaram formas de continuar honrando as suas origens, onde assim, surgiram os sincretismo com os santos católitcos.
Muitas transformações culturais e sociais foram necessárias, onde foram incorporados elementos de diversas regiões e também os elementos que estavam no próprio Brasil, vindo dos povos originários brasileiros.
Históricamente conseguimos fazer relações sobre esse período, mas em relação a invergadura emocional, é praticamente impossível entender o que sentiram os escravizados nos tempos atuais. Relatar fatos históricos é totalmente diferente de entender a experiência vivida pelos escravos. Eu gosto muito de usar o termo "usar o sapato do outro".
Orixás e suas qualidades
Uma coisa interessante nas histórias e mitos dos orixás, são o que chamamos de qualidades. Essa ideia está ligada com o momento em que o orixá viveu e uma das melhores descrições de como finalmente entendi o que é QUALIDADE foi :
Orixá é um filme. Um filme completo com histórias, com enredo, com sua força absurda e diversos ensinamentos para quem é filho e para quem cultua religiões do axé.
A qualidade é uma fotografia de uma parte específica do filme, uma passagem, um trecho.
Oxalá, representa a paz, mas o momento de "seu filme" quando está em ação, onde a energia se movimenta para buscar a paz, é Oxaguiã.
Saravá!

















